raisama.netReunião de condomínio ontem. Três horas de bate-boca. O síndico — aquele que não mora no prédio — deverá renunciar em um mês, quando novo síndico será eleito. E o Sr. Eduardo Habkost do 1203 se apresentou como candidato. Espero que não seja o único. A existência de eleições de candidato único são uma das coisas que me fazem perder a esperança no
progresso
da humanidade.
Segundo relatos que ouvi, os últimos três síndicos (incluindo o atual) foram quase linchados nas reuniões que terminaram seus mandatos. O desafio será provar que isso não é regra, e não ser quase-linchado também. Vai ser no mínimo uma experiência interessante.
3 comentáriosNada como ir para casa e encontrar a polícia na entrada do prédio, e receber a notícia de que o zelador foi preso por estelionato. E meia hora depois, resgatar uma certa paçoca do elevador, que resolveu de uma hora para outra que ficar parado entre dois andares abrindo e fechando a porta continuamente é legal.
Acho que precisamos de um síndico novo.
8 comentáriosOntem, participei de mais uma discussão com o
Leonardo, sobre
hipóteses que formam minha visão de mundo. Estranhamente, apesar de termos uma visão de mundo bastante diferentes, conseguimos nos comunicar civilizadamente de modo que as discussões são às vezes bastante produtivas, na minha opinião.
Então, vamos ao tema da discussão: enquanto conversávamos, chegamos aos assuntos: competição, busca por lucro, visão de curto prazo, cooperação. Enquanto falava, consegui elaborar certas hipóteses que já tinha em minha cabeça, mas ainda não tinha detalhado o suficiente. A grande questão é: por que cooperamos?
Cooperar, na discussão, inicialmente, dizia respeito ao oposto da competição entre empresas e busca por lucro. Mais precisamente, o modelo de cooperação inicial era o das universidades: pela observação notamos que universidades sabem cooperar melhor entre si do que as empresas. Podemos encontrar empresas e universidades que possuem um objetivo comum, mas com uma diferença: empresas geralmente cooperam “internamente” para conseguir competir melhor, porém universidades geralmente “sabem” cooperar entre si. Naturalmente não é uma regra absoluta, o objetivo aqui não é dizer que universidades são melhores que empresas. A questão é: existem “entidades” que “sabem” cooperar entre si melhor do que outras.
Essa seção se ocupa de definir o que é cooperação. Se você acha que o parágrafo anterior foi suficiente para compreender o conceito, não se preocupe em ler tão atentamente a seção seguinte.
Vamos tentar definir cooperação. Definamos cooperação entre as entidades pertencentes a um conjunto, quando as entidades desse conjunto são capazes de prever o comportamento mais eficiente para o conjunto atingir um determinado objetivo. A questão de “qual objetivo é esse” é a mais sensível da teoria: não é bem definido, e depende da visão de mundo de cada um. Acho que é fácil perceber quando um conjunto de indivíduos está “cooperando” com o grupo, e quando não está. A questão é que não consigo definir tal conceito formalmente[1].
Vou continuar considerando que o leitor aceita que existe um conceito de cooperação aceitável e que seja compreendido pela maioria. Se você acha a definição informal do conceito insuficiente, eu sinto muito. Convido o leitor a discutir comigo para tentarmos achar uma definição adequada.
Agora, vamos à teoria:
Podemos observar vários exemplos de entidades que sabem “cooperar” em certo nível: os seres humanos são um exemplo de grupo de células em que cooperam entre si. Cidades organizadas são um exemplo de como seres humanos são capazes de cooperar, ao menos um pouco. Países são um exemplo de como as cidades são capazes de cooperar entre si. As próprias células são exemplos de que os organismos simples (que hoje são os vários componentes da célula) são capazes de cooperar entre si e formar um organismo mais complexo.
Note que a medida do “sucesso” da cooperação não é o número de indivíduos, como foi a maior ponto de discórdia no diálogo, mas sim a capacidade de formar organismos cada vez maiores e mais complexo que “sabem cooperar”.
A minha teoria é: a “capacidade máxima de cooperação” entre os organismos sempre vai aumentar, e levar à formação de organizações cada vez mais complexas, desde que tenhamos uma população grande o suficiente.
Mas um argumento contra isso que temos é: “os indivíduos que cooperam são frágeis e temporários. Os organismos mais simples são os que tem mais sucesso”. Porém, como já destaquei, a medida de “sucesso” não é a quantidade de indivíduos, mas a complexidade dos indivíduos que a população foi capaz de gerar até o momento. Quanto a “fragilidade”, vou elaborar mais a seguir.
Sim, as organizações “cooperativas” são mais frágeis: se elas não forem grandes ou numerosas o suficiente, elas podem ser destruídas pelas organizações mais simples, porém mais eficientes ao se multiplicar. Como exemplo disso, seres humanos são sempre ameaçados por possíveis doenças que sejam capazes de exterminar toda a espécie. As organizações das cidades são ameaçadas por um possível aumento na criminalidade até que vamos para um estado mais “caótico” e menos “cooperativo” novamente. A organização dos países tem a ameaça de guerras generalizadas que podem: destruir a organização que temos hoje e voltarmos para um estado de “idade média”; pode ameaçar a espécie humana; e em um caso extremo, pode destruir mesmo os organismos menos “frágeis” como vegetais e bactérias.
Durante a discussão, notei que minha teoria até faz sentido, mas tem uma premissa importante que eu não havia notado até ela ser “testada” através de diálogo e discussão: para contornar a “fragilidade”, precisamos de uma população grande o suficiente. A explicação é simples: isso possibilitará que vários grupos — cooperativos ou não — se formem. E os grupos que conseguirem cooperar e forem grandes ou numerosos o suficiente, vão conseguir sobreviver e manter o “nível de cooperação máximo” onde está.
É devido a população grande o suficiente que os seres humanos povoam a Terra hoje: se as células tivessem formado um indivíduo apenas, as células mais simples conseguiriam destruir o indivíduo organizado. Se a população da Terra formasse apenas uma cidade, ela não conseguiria sobreviver ao ataque dos “não-civilizados”, e estaríamos no estado de “não-civilização” até hoje. Porém muitos e muitos organismos multicelulares como os animais e seres humanos se formaram, até que algum conseguiu atingir um nível de cooperação suficiente para que conseguisse se reproduzir e sobreviver em meio aos organismos unicelulares. Muitos “protótipos de cidades” se formaram e foram destruídos, até que uma cidade que conseguisse sobreviver em meio à “não-civilização” tempo o suficiente para que o “meme da formação de cidades”[2] pudesse ser multiplicado.
E por isso hoje as células do meu corpo não precisam competir entre si. E por isso eu não preciso matar meu vizinho em busca de comida. Conseguimos atingir um estado em que conseguimos cooperar e não precisamos competir. Sim, este estado ainda é frágil. Mas a questão principal, detalhada a seguir, é: tudo o que precisamos é de uma população grande o suficiente.
Como exposto anteriormente, tudo que precisamos é de uma população grande o suficiente para contornar a fragilidade das organizações mais complexas. O câncer pode surgir dentro do meu corpo e vai ter mais sucesso que as células cooperativas que tenho. Porém há bilhões de seres humanos, que garantem que as células cooperativas continuem se reproduzindo. A criminalidade em uma cidade pode crescer até que fique impossível que a “civilização” continue dentro dela, mas há centenas de outras cidades que garantem que o meme “formar cidades para vivermos melhor” continue sobrevivendo.
Voltamos ao assunto inicial da discussão: eu acho que nós estamos em um estágio em que os organismos chamados “seres humanos” sabem cooperar entre si razoavelmente bem, os organismos maiores, as “cidades” também, mas não tão bem como os seres humanos entre si. E outros organismos, como a classe que inclui tanto as empresas quanto universidades, estão no estágio que estão aprendendo a cooperar, através da competição. Acho que em um estágio mais “avançado”, as universidades[3], por saberem cooperar entre si, vão conseguir sobreviver mesmo em meio ao ambiente de competição que existe entre as empresas, podendo até mesmo ultrapassar a quantidade de empresas numéricamente.
Porém, agora precisamos generalizar a idéia da “população grande o suficiente”: isso pode não acontecer no nosso planeta, e vamos continuar em uma sociedade “não cooperativa”, podendo ficar nesse estado indefinidamente, ou destruir o que conhecemos por “civilização”.
Mas o meu modelo de mundo é otimista e eu espero que a quantidade de “civilizações” habitando planetas pela galáxia e pelo universo seja grande[4]. Considerando uma quantidade grande o suficiente de civilizações, eu espero que ao menos uma delas “aprenda a cooperar” mais do que as outras, para que consiga sobreviver e se desenvolver até conseguir povoar outros planetas e sistemas e multiplicar o “meme da cooperação” através da galáxia.
Podemos generalizar a idéia ainda mais, porém exigindo ainda mais hipóteses não-comprovadas: a galáxia será povoada pelos organismos que souberam cooperar o suficiente para levar o “meme da cooperação” para a galáxia toda, e caso a nossa não seja habitada por eles, outra galáxia será. E supondo que é fisicamente possível encontrar um meio de se locomover entre as galáxias (outra suposição não comprovada), os organismos dessas galáxias conseguirão levar o “meme da cooperação” para grande parte delas.
Agora, eu realmente vou apelar nas suposições e otimismo: eu suponho que desenvolvendo complexidade suficiente, quando o nosso universo estiver “cheio” dos “hiper-cooperadores”, algum deles vai conseguir se destacar em relação aos outros até descobrir meios de habitar “outros universos”[5]. Quem sabe criar os nossos próprios.
Vale notar que uma premissa (não comprovada) das duas hipóteses acima, é de que tecnologia avançada se desenvolve com muito tempo mantendo as mesmas informações, e que as informações se mantém caso uma civilização sobreviva muito tempo sem ser destruída e — como consequência dessa premissa — a civilização que sobreviver todo esse tempo necessariamente seria a que soubesse cooperar melhor. Isso não é um fato comprovado, mas é algo em que acredito no meu “modelo de mundo”, e infelizmente é muito difícil de testar.
Talvez o que chamamos “Deus” seja um organismo “hiper-hiper-hiper-cooperador” que foi capaz de se desenvolver o suficiente para criar universos para ser habitado. 8)
Melhor eu ir dormir, eu já estou imaginando coisas demais, agora.
Para resumir a idéia, vou enumerar os “níveis de cooperação” (ou apenas níveis de complexidade) que podemos encontrar hoje na natureza, e os níveis imaginados por mim baseado em hipóteses e premissas não comprovadas. A lista tem precisão arbitrária, e alguns níveis podem se confundir, outros podem ser detalhados facilmente em muitos “subníveis”.
0. Átomos
1. Moléculas auto-replicadoras
2. Moléculas auto-replicadoras protegidas por uma “membrana”
3. Células como conhecemos hoje: um núcleo onde estão as moléculas auto-replicadoras “originais”, e outros organismos dentro da célula
4. Seres vivos multicelulares
4.1. Fungos
4.2. Vegetais
4.3. Animais
4.5. Seres humanos
5. Grupos pequenos: Bandos, tribos, florestas
6. Grupos mais complexos: cidades
7. Estados/províncias/países pequenos: grupo de cidades que cooperam entre si; Empresas
8. Países; Consórcios de empresas; grupos de universidades
9. Civilizações capazes de viagens inter-estelares[7].
10. Civilizações capazes de viagens entre galáxias
11. Civilizações capazes de criar ou viajar para “outro universo”
12. Civilizações capazes de criar universos[8]
13. ???
Vendo os níveis 5 a 8, notamos uma característica importante: o desenvolvimento do “meme de cooperação” não é linear, por isso há níveis em que vários tipos de organizações estão listados no mesmo nível por serem mais ou menos semelhantes na “capacidade de cooperação”, mas a representação mais adequada para a enumeração acima seria uma árvore.
* * *
[1] Uma tentativa de definir o que é “cooperar com o grupo” poderia ser: “adotar o comportamento ótimo para maximizar o ‘total de felicidade’ dos elementos do grupo”. Mas ainda assim é difícil definir “total de felicidade” sem cair em lógica circular
[2] Neste texto, “meme” se refere a qualquer informação capaz de se reproduzir. Isso inclui os nosso genes, que se reproduzem biologicamente, e os memes que passamos para os nossos descendentes pela “tradição”. Ambos têm a mesma função para a nossa análise e serão chamados de “memes”
[3] De novo, o importante é distinguir entre “entidades que cooperam” e “entidades que não cooperam”. Os termos “universidade” e “empresa” são utilizados apenas nesse sentido. Isso não significa que toda universidade “sabe cooperar”, nem que toda empresa “não sabe cooperar”
[4] Infelizmente não temos nenhuma informação estatística sobre isso, para fazer uma análise mais profunda; a partir daqui, são só hipóteses
[5] Eu acho o termo “outros universos” bastante contraditório: “universo” não deveria significar “tudo que existe, existiu e poderá existir”?
[6] “improváveis” no sentido de “que não pode ser provado”[9]
[7] Neste ponto fica mais visível a premissa não comprovada exposta anteriormente, de que a tecnologia avançada depende de um nível alto de cooperação
[8] Nessa eu apelei :D
[9] Sim, eu sei que as nueração das notas está fora de ordem. É que algumas notas foram adicionadas depois, mesmo aparecendo antes para o leitor no texto. E eu não estou com paciência para renumerar tudo
6 comentários
E eu não postei falando sobre a quantidade de gente que apareceu lá em casa sexta. 14 pessoas dentro do apartamento. Fotos na galeria do Freitag.
Agradecimentos públicos pelos presentes recebidos do casal mais popular da internet. Os livros estão sendo realmente úteis. Os 40 Kg de fubá (foto ao lado) deverão ser suficientes para dezenas de bolos.
Infelizmente só pedimos 10 Kg de pizza. E nem deu para ir até o Largo da Ordem fazer a polenta. Mas isso a gente deixa para outra ocasião.
E… alguém sabe alguma peça de roupa cujo nome comece com a letra D?
Update: o Ademar disse que só 2 pessoas dizendo para ele que as pizzas tinha 3 Kg não são suficientes para ele ter certeza de que é verdade. Então, peço aos que estavam presentes lá em casa sexta: enviem um e-mail para ele, comentem no blog, ou façam qualquer coisa para que mais gente confirme para ele que, realmente, as pizzas tinham 3 Kg. >8)
11 comentáriosI want a mighty mouse for my PC.
From the specs:
“Because everyone deserves a chance to experience the most elegant mouse on the planet, Mighty Mouse is also compatible with PCs. Mighty Mouse uses the standard, multibutton mouse driver included in the Windows 2000 and Windows XP operating systems and plugs into any USB 1.1 or USB 2.0 port.”
No, I don’t plan to use it on the operating system mentioned above, of course. But if it works on that OS, it may work on Linux. Improving my favorite set of software (if we need to do that. maybe it would Just Work)to support the functions from this piece of hardware would be fun.
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